As minhas leituras de junho

1. Northanger Abbey, Jane Austen

Neste romance de Austen, seguimos a jovem Catherine Morland que descobre o amor, a leitura de romances góticos e a falsidade das relações sociais. Apesar de não ter muita paciência para os romances da Jane Austen, eu preciso admitir que ela é muito boa em retratar as tramas da vida em sociedade. Indico este vídeo imperdível da fantástica Fran Lebowitz(quantos adjetivos eu tenho que listar para que cliquem no link?) falando sobre o que ela pensa sobre a Jane Austen.

2. Ficando longe do fato de já estar meio longe de tudo, David Foster Wallace

Eu teria aproveitado bem mais o Northanger Abbey se não tivesse traído a Austen com o DFW. Li este livro em dois dias de tão forte que foi o meu enamoramento. Confesso ter um relacionamento conturbado com o David…

No começo eu tinha preconceito e o achava pretensioso demais

Depois vi algumas entrevistas dele e me interessei

Quando comprei o Infinite Jest, minha implicância voltou, não tive paciência para ele

Daí decidi ler os ensaios, meu amor voltou

Não sei como vai se desenvolver a nossa conturbada história de amor. No entanto, sei dizer por que amo ouvir e ler a não-ficção do DFW: a visão desautomatizada dele em relação ao mundo é fascinante. Os dois ensaios longos do livro retratam isto bem. No primeiro, ele relata sua experiência na Feira Estadual de Illinois; no segundo, em um navio de luxo.  Indico este livro para qualquer um que queira fugir das atualizações bestas do facebook, para ler sobre as opiniões de um autor que realmente tem (apesar de ele ter morrido, não posso dizer tinha, porque creio que seus livros ainda devam ter muito) o que dizer.

3. Fragmentos de um discurso amoroso, Roland Barthes

Este foi o segundo ótimo livro de não-ficção que eu li este mês. Os Fragmentos do Barthes são bem conhecidos e não precisam de apresentação, mas eu insisto em dizer que eles são melhores quando lidos por completo do que em fragmentos. Eu tinha uma visão de que esse livro desconstruía o amor de forma apática, mas estava redondamente enganada. O livro funciona para mim como um romance perfeito sem os personagens, no qual qualquer um pode se encaixar.

4. A Invenção de Morel, Adolfo Bioy Casares

Este é daqueles livros que a gente termina e fica triste por não ter descoberto antes. A Invenção de Morel é provavelmente a novela mais perfeita que eu já li. É bem construída, envolvente, atual. Eu prefiro não revelar nada do enredo porque eu a li sem saber nada, e espero que outros possam ter a mesma experiência. São somente 120 páginas, não tem razão pra não ir correndo ler e descobrir o mistério.

5. Pedro Páramo, Juan Rulfo

Infelizmente, eu detestei este livro. Também é uma novela latino-americana como a acima, mas esta não me comoveu. Talvez seja porque o fantástico de Bioy me agrada, enquanto  o realismo mágico de Rulfo me cansa. O pior de ler um livro que a gente desgosta é a impressão que fica de que a gente não vai gostar de nenhum livro mais. Espero que julho me contrarie.

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